sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Filosofia Oriental e Saúde





A Medicina Oriental se caracteriza pela forte influência de correntes filosóficas do pensamento oriental em seus conceitos básicos e procedimentos. Esta influência não se dá simplesmente por motivos religiosos, como rapidamente poderíamos afirmar, mas sim pela filosofia de vida deste povos. Sua atitude perante a Vida e o Universo nortearam o desenvolvimento de sua medicina.


Por este prisma podemos notar a causa da variedade imensa de escolas terapêuticas orientais, cada uma versando sobre fundamentos dentro de sua própria filosofia. A maioria das técnicas de Medicina Oriental que conhecemos aqui no Brasil foram criadas à partir da cultura chinesa, pois sua influência nos povos do Oriente sempre foi muito marcante. Apesar disto outros países moldaram esta filosofia segundo sua própria cultura, como ocorre no Japão. Os dois grandes pólos de cultura e medicina da Ásia foram a Índia e a China, com a Ayurveda, medicina indiana, e a Medicina Tradicional Chinesa (MTC).


Alguns princípios norteiam a Medicina Oriental praticada no Extremo Oriente. Via de regra estes conceitos foram formulados na China antiga, há muitos milênios, dentro do Taoísmo. O Taoísmo é uma filosofia nativa da China baseada na harmonia com o Universo e que busca compreender a estrutura das coisas, com princípios esboçados por sábios como Fu Xi, Chuang-Tzu e Lao-Tzu. Longe de ficarem desatualizados, muitas pesquisas modernas apenas comprovam o altíssimo grau de conhecimento que estes sábios da antigüidade possuíam. Vamos ver alguns destes fundamentos essenciais:


Equilíbrio

Muito se fala sobre equilíbrio, mas de onde saiu esta idéia? O ser humano está em permanente contato com as forças da Natureza e extrai sua vida deste intercâmbio de forças. Quando ele está em equilíbrio com o Universo, está saudável. As doenças aparecem quando este equilíbrio se desfaz, gerando energias conflitantes com sua natureza. A função do terapeuta é ajudar o paciente a manter ou retornar a este estado de equilíbrio, que definimos como “saúde”.

Energia

A base do Universo é energia (Chi para os chineses, Prana para os indianos, Ki para os japoneses e coreanos). É com base na manipulação desta energia de inúmeras formas que vamos restaurar o equilíbrio do paciente, pois este desequilíbrio também ocorre no nível energético. Ninguém aqui está lidando com a área dos médicos ocidentais, pois nosso enfoque é sempre energético, desde o diagnóstico até o tratamento. Vamos falar mais sobre isto em um capítulo especial sobre energia.

Holismo

Hoje em dia ficou comum falarmos de Holismo ou técnicas holísticas. “Holos” em grego significa “tudo” ou “o todo”, por isso usamos este termo ao nos referirmos aos tratamentos alternativos, em particular aos da Medicina Oriental, pois tratamos a pessoa como um ser completo, incluindo corpo, mente, emoções, conceitos, forma de pensar, energia, predisposições. Não existe um acupuntor especializado no pé, por exemplo, como existem médicos. Ou se resolve o problema globalmente ou ele nunca terá solução. Uma dor nas costas pode ser um problema emocional e uma enxaqueca pode se originar de uma decisão difícil na vida. Se não houver uma análise e tratamento da pessoa completa o problema pode não ser resolvido ou ser remediado por algum tempo, voltando depois. Às vezes ainda pior.

O Terapeuta

Cada terapeuta é um agente do Universo que serve como intermediário entre as forças da Natureza e a pessoa. Como o paciente está desequilibrado, necessita de uma ajuda externa para retornar ao equilíbrio, que é ministrada pelo terapeuta. Como vimos, o próprio paciente fará a sua cura, mas o terapeuta é importante para orientar e auxiliar este processo. Ele é apenas um coadjuvante que fará a religação entre paciente e Universo.

Yin/Yang

A polaridade complementar já confundiu muita gente. Ficaria difícil explicar este conceito neste pequeno espaço, mas podemos resumir algumas idéias. Tudo em nosso Universo manifestado possui um componente de forças dual formado pelo Yin e o Yang. O Yin corresponde a forças contrativas e o Yang a forças expansivas. Um não existe sem o outro e um gera o outro. São opostos complementares dos quais tudo que existe é formado. Nada existe que seja apenas Yin ou apenas Yang, mas sempre uma composição dos dois. Note que o conceito do Yin/Yang pode variar segundo fontes diversas. A Macrobiótica, por exemplo, utiliza uma noção de Yin/Yang muito diferente da Medicina Chinesa. Procure fontes na cultura chinesa e terá informações mais confiáveis.

Cinco Elementos

Os 5 elementos são um dos aspectos mais interessantes da filosofia chinesa, complexos porém simples numa ambigüidade típica da cultura da China. Na verdade trata-se de cinco estados energéticos que permanecem em constante mutação, sempre se transformando, daí serem chamados de Wu Xing, corretamente traduzido como “cinco ações” ou “cinco movimentos”. Um gera o outro e um controla o outro em um ciclo sem fim. Os elementos são: terra, madeira, água, fogo e metal. A eles correspondem cores, estações do ano, sabores e órgãos energéticos do corpo humano como mostra a tabela abaixo.



TERRA
METAL
ÁGUA
MADEIRA
FOGO
COR
Amarelo
Branco
Preto
Verde
Vermelho
SABOR
Doce
Picante
Salgado
Ácido
Amargo
ÓRGÃO
Baço-Pâncreas
Pulmão
Rins
Fígado
Coração
VÍSCERA
Estômago
Intestino Grosso
Bexiga
Vesícula Biliar
Intestino Delgado
ESTAÇÃO DO ANO
5ª Estação
Outono
Inverno
Primavera
Verão


A interação entre estes elementos promoverá a saúde ou o desequilíbrio. As técnicas da Medicina Oriental utilizam os 5 elementos como fator importante na manutenção da saúde ou no restabelecimento do paciente.

*** Este texto é parte do livro "26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental". Faça o download desta obra totalmente grátis, clicando aqui.



Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog, achei bastante esclarecedor este artigo, gostei muito.
    Espero sua visita no meu blog www.rafaelmarmo.blogspot.com
    Rafael Marmo

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